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quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

a pintura e a vida de van gogh





A PINTURA E A VIDA DE VAN GOGH

Ai, ai, as pinturas mais belas são as que sonhamos deitados na cama,
fumando um cachimbo, mas nunca pintamos.”   
                                                                                 Van Gogh

Uma vida curta e conturbada para uma longa biografia de mais de mil páginas, Van Gogh, filho de pastor, depois de fracassar em tudo que tentou fazer, decidiu ser pintor. Um pintor também “fracassado”, ou melhor incompreendido pelo seu tempo, cuja obra imensa e invejável que construiu em sua rápida existência penosa e turbulenta, vem inquietando e provocando as gerações posteriores. O livro escrito por Steven Naifeh e Gregory White Smith, é uma das biografias mais extensas e completas de um artista que se tornou um mito da arte moderna. Do nascimento do pintor à sua morte aos trinta e sete anos, os autores vasculharam a vida de um navegante solitário, remando sempre contra a correnteza.

A biografia de um artista não explica, nem justifica sua obra, mas elas se comunicam, diria o filósofo francês Merleau-Ponty. Em se tratando de Van Gogh e sua vida difícil, com episódios trágicos, é possível ver uma relação estreita entre sua obra e o modo como viveu. Mesmo com todas as dificuldades não desistiu da ilusão de ser pintor. Desde a infância com um olhar desconfiado sobre o mundo, crises de raivas, caminhadas solitárias por lugares distantes, quem sabe para distanciar-se de tudo e de todos. Criado num ambiente religioso, protegido dos excessos do pecado, privado de emoção e cor, criou um mundo colorido e emotivo como meio de transgressão.

Uma vida que colecionava infelicidades, zombarias e desafetos, buscava encontrar na arte o que não via na vida. Talvez o mais deprimido dos artistas, mas com uma produtividade incansável, como se estivesse sublimando na tela a infância não vivida e as emoções reprimidas. Ariscou a vida no trabalho da pintura, produziu como um louco mas sem perder a razão, indispensável ao ofício de pintor, “dedico-me a minhas telas com toda a minha mente”, escreveu para o irmão Theo. Acrescentou ao mundo a verdade da pintura. 

Tinha um único amigo, confidente, incentivador e responsável pelo seu sustento, com quem se correspondia e também tinha atritos, o irmão mais novo, Theo. Sem negar a rivalidade familiar, Theo era o filho que deu certo, tinha profissão, ajudava no sustento da família, tinha uma vida correta dentro do esperado nos padrões da classe média. Van Gogh era o contrário, com sua pintura ridicularizada pelos seus contemporâneos, desprovidos de informações para compreendê-las, sem aceitação no mercado. Quanta aflição. Somente mais de cinco anos depois de sua morte é que veio a ser reconhecido e celebrado. 

Queria pintar o que via, mas via o que pintava. Uma pintura de uma força irresistível, cor firme, céu agitado, uma forma particular de ver as coisas e a paisagem. Vida e obra se misturavam, o temperamento rebelde do artista, diagnosticado com várias enfermidades, - entre elas esquizofrenia, - desentendimentos, crises existenciais, a amizade tumultuada com Paul Gauguin, amputação da orelha, até a morte trágica, reavaliada no livro. Os autores descartam a hipótese, mais conhecida, de suicídio do pintor. Com um inventário de provas, acreditam em assassinato acidental. Com base em laudos médicos, que informam que a arma do crime foi disparada de certa distância do corpo, declaração do próprio artista que achava o suicídio “uma covardia moral” etc. Um crime misterioso, sem testemunha e sem o local exato do disparo, que até a arma desapareceu, mas não tão misterioso quanto a sua arte.

Suicídio ou assassinato? Longe de mim de tomar partido, não sou advogado nem perito criminal. As condições precárias em que viveu numa sociedade hostil contribuíram, sem dúvida, para o final brutal, por um ferimento de bala na parte superior do abdômen. Mas de uma coisa ninguém duvida, da fascinação e da certeza de sua pintura que muito acrescentou à história da arte. Uma obra inquestionável que ultrapassa os acidentes da vida. Quantos artistas na história viveram à margem do sistema social, com uma vida pouco digna e construíram uma obra que sensibiliza gerações.

O livro faz uma revelação importante, a meu ver, para o meio de arte, hoje em dia, recheado de qualquer coisa e sintomas culturais. Os autores mostram um Van Gogh com uma sólida formação cultural, leitor e freqüentador de museus, reflexivo, que planejava suas telas antes de realizá-las e as pintava na mais plena lucidez. “Chamam um pintor de louco se vê as coisas com olhos diferentes dos deles,” dizia nas suas correspondências para Theo. Sua pintura não era obra do acaso ou da loucura, cada gesto, cor e pincelada eram a manifestação de um pensamento. 

A problemática e a ambígua relação entre arte e loucura vem à tona. Um artista que passou temporadas internado num abismo moderno chamado hospício, nos últimos anos de sua vida, onde a liberdade humana é restrita, nos deixou uma experiência artística longe do estado de loucura. Através da arte Van Gogh escorregou da psicose, a sua pintura, se nasceu na angústia pessoal, a realidade foi transformada a partir da vontade consciente de um sujeito.

É quase impossível a compreensão da vida humana sem a presença da arte, a irracionalidade está presente na estrutura interna da obra de arte, nos adverte o filosofo alemão Heidegger. Até mesmo a pintura de uma visualidade racional, como a de um Mondrian, não deixa de ser um fenômeno irracional. A suposta loucura na arte de Van Gohg é perfeitamente reconhecida e apreendida em nosso mundo racional.

Se contemplamos nas suas telas paisagens, retratos, campos de trigo, girassóis, corvos, é um problema nosso. Ele fez apenas pintura e por isso nos inquieta até hoje e vai inquietar muitas gerações enquanto a arte existir. Se os autores dedicaram dez anos para escrever esta biografia é porque o seu personagem se entregou ao mundo para transformá-lo em pintura. Lembrei-me de Paul Valery. Van Gogh sabia o que estava pintando e para isso ele precisava não só de telas, tintas e pincéis; precisava também da razão e da imaginação.


Almandrade
(artista plástico, poeta e arquiteto)

a pintura e a vida de van gogh





A PINTURA E A VIDA DE VAN GOGH

Ai, ai, as pinturas mais belas são as que sonhamos deitados na cama,
fumando um cachimbo, mas nunca pintamos.”   
                                                                                 Van Gogh

Uma vida curta e conturbada para uma longa biografia de mais de mil páginas, Van Gogh, filho de pastor, depois de fracassar em tudo que tentou fazer, decidiu ser pintor. Um pintor também “fracassado”, ou melhor incompreendido pelo seu tempo, cuja obra imensa e invejável que construiu em sua rápida existência penosa e turbulenta, vem inquietando e provocando as gerações posteriores. O livro escrito por Steven Naifeh e Gregory White Smith, é uma das biografias mais extensas e completas de um artista que se tornou um mito da arte moderna. Do nascimento do pintor à sua morte aos trinta e sete anos, os autores vasculharam a vida de um navegante solitário, remando sempre contra a correnteza.

A biografia de um artista não explica, nem justifica sua obra, mas elas se comunicam, diria o filósofo francês Merleau-Ponty. Em se tratando de Van Gogh e sua vida difícil, com episódios trágicos, é possível ver uma relação estreita entre sua obra e o modo como viveu. Mesmo com todas as dificuldades não desistiu da ilusão de ser pintor. Desde a infância com um olhar desconfiado sobre o mundo, crises de raivas, caminhadas solitárias por lugares distantes, quem sabe para distanciar-se de tudo e de todos. Criado num ambiente religioso, protegido dos excessos do pecado, privado de emoção e cor, criou um mundo colorido e emotivo como meio de transgressão.

Uma vida que colecionava infelicidades, zombarias e desafetos, buscava encontrar na arte o que não via na vida. Talvez o mais deprimido dos artistas, mas com uma produtividade incansável, como se estivesse sublimando na tela a infância não vivida e as emoções reprimidas. Ariscou a vida no trabalho da pintura, produziu como um louco mas sem perder a razão, indispensável ao ofício de pintor, “dedico-me a minhas telas com toda a minha mente”, escreveu para o irmão Theo. Acrescentou ao mundo a verdade da pintura. 

Tinha um único amigo, confidente, incentivador e responsável pelo seu sustento, com quem se correspondia e também tinha atritos, o irmão mais novo, Theo. Sem negar a rivalidade familiar, Theo era o filho que deu certo, tinha profissão, ajudava no sustento da família, tinha uma vida correta dentro do esperado nos padrões da classe média. Van Gogh era o contrário, com sua pintura ridicularizada pelos seus contemporâneos, desprovidos de informações para compreendê-las, sem aceitação no mercado. Quanta aflição. Somente mais de cinco anos depois de sua morte é que veio a ser reconhecido e celebrado. 

Queria pintar o que via, mas via o que pintava. Uma pintura de uma força irresistível, cor firme, céu agitado, uma forma particular de ver as coisas e a paisagem. Vida e obra se misturavam, o temperamento rebelde do artista, diagnosticado com várias enfermidades, - entre elas esquizofrenia, - desentendimentos, crises existenciais, a amizade tumultuada com Paul Gauguin, amputação da orelha, até a morte trágica, reavaliada no livro. Os autores descartam a hipótese, mais conhecida, de suicídio do pintor. Com um inventário de provas, acreditam em assassinato acidental. Com base em laudos médicos, que informam que a arma do crime foi disparada de certa distância do corpo, declaração do próprio artista que achava o suicídio “uma covardia moral” etc. Um crime misterioso, sem testemunha e sem o local exato do disparo, que até a arma desapareceu, mas não tão misterioso quanto a sua arte.

Suicídio ou assassinato? Longe de mim de tomar partido, não sou advogado nem perito criminal. As condições precárias em que viveu numa sociedade hostil contribuíram, sem dúvida, para o final brutal, por um ferimento de bala na parte superior do abdômen. Mas de uma coisa ninguém duvida, da fascinação e da certeza de sua pintura que muito acrescentou à história da arte. Uma obra inquestionável que ultrapassa os acidentes da vida. Quantos artistas na história viveram à margem do sistema social, com uma vida pouco digna e construíram uma obra que sensibiliza gerações.

O livro faz uma revelação importante, a meu ver, para o meio de arte, hoje em dia, recheado de qualquer coisa e sintomas culturais. Os autores mostram um Van Gogh com uma sólida formação cultural, leitor e freqüentador de museus, reflexivo, que planejava suas telas antes de realizá-las e as pintava na mais plena lucidez. “Chamam um pintor de louco se vê as coisas com olhos diferentes dos deles,” dizia nas suas correspondências para Theo. Sua pintura não era obra do acaso ou da loucura, cada gesto, cor e pincelada eram a manifestação de um pensamento. 

A problemática e a ambígua relação entre arte e loucura vem à tona. Um artista que passou temporadas internado num abismo moderno chamado hospício, nos últimos anos de sua vida, onde a liberdade humana é restrita, nos deixou uma experiência artística longe do estado de loucura. Através da arte Van Gogh escorregou da psicose, a sua pintura, se nasceu na angústia pessoal, a realidade foi transformada a partir da vontade consciente de um sujeito.

É quase impossível a compreensão da vida humana sem a presença da arte, a irracionalidade está presente na estrutura interna da obra de arte, nos adverte o filosofo alemão Heidegger. Até mesmo a pintura de uma visualidade racional, como a de um Mondrian, não deixa de ser um fenômeno irracional. A suposta loucura na arte de Van Gohg é perfeitamente reconhecida e apreendida em nosso mundo racional.

Se contemplamos nas suas telas paisagens, retratos, campos de trigo, girassóis, corvos, é um problema nosso. Ele fez apenas pintura e por isso nos inquieta até hoje e vai inquietar muitas gerações enquanto a arte existir. Se os autores dedicaram dez anos para escrever esta biografia é porque o seu personagem se entregou ao mundo para transformá-lo em pintura. Lembrei-me de Paul Valery. Van Gogh sabia o que estava pintando e para isso ele precisava não só de telas, tintas e pincéis; precisava também da razão e da imaginação.


Almandrade
(artista plástico, poeta e arquiteto)

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

CIDADE NA VIAGEM DO OLHAR

por  Almandrade         

As cidades são tristes quando uma curiosidade, uma presença, ou um lugar não aquece a solidão de quem vive a abstração da vida cotidiana. Nada tem sentido. A falta sempre remete a uma espécie de deserto que desorienta o viajante solitário de seu próprio espaço. – Será que as cidades deveriam ser habitadas por imagens que desejamos e por imagens poéticas? “Mas o desejo, a poesia, o riso fazem necessariamente a vida deslizar no sentido contrário, indo do conhecido ao desconhecido”. (Bataille) – Enfrentar o desconhecido é uma tarefa difícil para o homem, principalmente quando ele vive em cidades hostis ao mundo do conhecimento.

A publicidade faz a imagem da cidade, como se a natureza fosse uma imitação de uma outra natureza. A arquitetura não é mais arquitetura, é imagem de out-door. A festa faz o paraíso urbano e uma música medíocre anuncia o Carnaval, esta intervenção autoritária que desapropria a vida da cidade, para aqueles que não têm o direito de opinar contra a festa.

A cidade é a multidão que troca de imagem segundo a moda. Mas tem a imagem que permanece na memória, como objeto da paixão para o apaixonado. Pensei em Walter Benjamin e o Diário de Moscou: o olhar apaixonado de um filósofo sobre uma cidade: “Naquela manhã sentia-me com uma energia e por isso consegui falar de maneira sucinta e calma sobre minha permanência em Moscou e sobre suas perspectivas imensamente reduzidas”. Uma relação de paixão compartilhada com o conhecimento das imagens percebidas de uma cidade.

Da janela, contemplei a rua como um voyeur de cidade. O trânsito, a publicidade, a multidão, o centro histórico. Os monumentos e a arquitetura eram objetos para as câmeras fotográficas de turistas, como cenários sem data. Sem a imaginação o passado é a imagem engraçada, um efeito especial do cotidiano, onde tudo é repetitivo. A história, neste caso, não passa de uma mercadoria para um olhar carente de um lazer cultural. “A era faustuosa da imagem e dos astros e das estrelas está reduzida a alguns efeitos de ciclone e terremotos artificiais, de falsas arquiteturas e de truncagens infantis com que as multidões fingem deixar-se empolgar para não sofrer uma decepção amarga demais” (Baudrillard).

Por outro lado, a singularidade de um espaço, de um monumento ou de uma arquitetura fascina o viajante. É como as imagens poéticas que provocam o desejo de olhar e de viver um estado de deslumbramento. As imagens não são totalmente transparentes que se revelam a qualquer olhar sem reflexão: elas provocam a imaginação e exigem um olhar atento, com um repertório de referências. Isto é, uma sensibilidade capaz de perceber nas imagens suas histórias e suas verdades, mesmo que seja uma sensibilidade marcada pela paixão de uma imagem.

Almandrade

Artista plástico, arquiteto, mestre em desenho urbano, poeta e professor de teoria da arte das oficinas de arte do Museu de Arte Moderna da Bahia

Almandrade homenageia Raul Seixas

EXPOSIÇÃO 11 + 22 + 44 ,
Homenagem a Ralzito e seus panteras!
no ateliê de Leonel Mattos Rio Vermelho!
Salvador - Ba.


EXPOSIÇÃO 11 + 22 + 44
HOMENAGEM A RAULZITO E OS PANTERAS

Com grande satisfação realizaremos a exposição 11+22+44 em homenagem a  Raulzito e os Panteras, banda que gravou o primeiro LP há quarenta e quatro anos!

Convidamos 11 renomados artistas plásticos para uma exposição coletiva no meu ateliê no Rio Vermelho, certo de que comemoramos 22 anos da morte de Raul, e 44 anos do lançamento do primeiro LP!

Almandrade, Bel Borba, Carlínio, Celso Cunha, Gustavo Moreno, Jayme Figura, Leonel Mattos, Miguel Cordeiro, Ramiro Bernabó, Ricardo Franco, Vauluizo Bezerra, são os artistas que participaram da mostra.

No vernissage os músicos, Carlos Eládio,(Carleba e Mariano, formação original da banda  Raulzito e Os Panteras), apresentarão performance e concerto de músicas da banda ao vivo.


QUANDO -  Dia 17  a 31 de Agosto de 2011
ONDE - Ateliê de Leonel Mattos - Rua Guedes Cabral 155 em frente a Igreja de Santana a nova

CONTATO - (71) 9961 7470 - 3019 4877
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www.portalartes.com.br/artistas-do-portal/1087-almandrade.html
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Cultura e Mercado | para quem vive de cultura. » A irrealidade da ...
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ARTE: CONFLITOS DO OLHAR


Ao começar esse artigo sobre Antonio Luis Moraes Andrade (Almandrade), um dos grandes artistas contemporâneos da Bahia desse fim/início de século(s), tenho por força que falar do sonho, sem que esse sonho seja uma negação da realidade e sim uma extensão da vida, transformando a utopia do cotidiano na real necessidade da existência. O sonho, não como mais uma das dimensões do humano, mas como o único caminho de possibilidades múltiplas para as suas realizações. Almandrade surge nos anos 70: em 72 ganha menção honrosa em salão universitário. Durante a década de 80, participa de três bienais em São Paulo (XII, XIII, XVI) e vai firmando-se como poeta, artista plástico, arquiteto e, principalmente, um pensador. Sua arte desenvolve-se a partir da idéia do conflito entre o discurso e o objeto artístico. Insere-se numa geração que vivencia uma época em que o pensamento e as manifestações lúdicas primavam pelo experimentalismo, na busca de novas formas de expressão e do dizer, em meio a conflitos sociais que, com o advento do AI-5 em 1968, ocasionam o fechamento da Bienal de Artes Plásticas da Bahia, encerrando o sonho de Salvador ser a capital nacional das Artes Visuais, deixando o Museu de Arte Moderna da Bahia, criado por Lina Bo Bardi, estagnado por quase uma década. Almandrade vem conquistando o seu merecido espaço, construindo uma linguagem de silêncio, pesquisa e rigor na releitura do signo, que em 1980 explode em maturidade, quando o Museu de Arte Moderna da Bahia começa, realmente, a funcionar, sob a administração de Chico Liberato, como um museu vivo e atuante, e apresenta a primeira exposição de arte contemporânea da Bahia: O Sacrifício do Sentido, onde através de desenhos, objetos escultóricos e textos, nos mostra uma proposta que tenta abolir o discurso do fazer artístico possibilitando que o objeto, sua imagem e o óbvio conflito, que vem de sua observação/elucidação, tornem-se o próprio discurso. Não vejo como fixas as formas expostas pelo artista, apesar de sua pesquisa e do modo como utiliza o seu arsenal técnico, nos iludirem com a fácil observação das formas exatas e estáticas, pois é dessa aparência que se inicia a desconstrução do significante, tornando-o mutante e criando um signo que reflete a curiosidade acerca das expressões do sonho, que sem depender apenas do humano recria-se na utilização de outros materiais. A obra de Almandrade reflete sua atitude de artista consciente e sincero, compromissado com o futuro. Zeca Magalhães ------------------------------------------------ Almandrade (Antônio Luiz M. Andrade) Artista plástico, arquiteto, mestre em desenho urbano e poeta. Participou de várias mostras coletivas, entre elas: XII, XIII e XVI Bienal de São Paulo; "Em Busca da Essência" - mostra especial da XIX Bienal de São Paulo; IV Salão Nacional; Universo do Futebol (MAM/Rio); Feira Nacional (S.Paulo); II Salão Paulista, I Exposição Internacional de Escultura Efêmeras (Fortaleza); I Salão Baiano; II Salão Nacional; Menção honrosa no I Salão Estudantil em 1972. Integrou coletivas de poemas visuais, multimeios e projetos de instalações no Brasil e exterior. Um dos criadores do Grupo de Estudos de Linguagem da Bahia que editou a revista "Semiótica" em 1974. Realizou cerca de treinta exposições individuais em Salvador, Recife, Rio de Janeiro, Brasília e São Paulo entre 1975 e 2011. É um dos principais nomes da poesia visual no Brasil.