Mostrando postagens com marcador cura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador cura. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Pedro Michaluart: “Nos estágios bem iniciais a probabilidade de cura é maior do que 95%”

por Conceição Lemes no VioMundo

O ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva começa nesta segunda-feira quimioterapia para tratar o câncer na sua laringe.
Dos 489.270 casos novos de câncer esperados para 2011 no Brasil, os de laringe representam 2% do total. Representam ainda 25% dos tumores malignos que acometem cabeça e pescoço.
Para que nos ajudasse a entender o tumor diagnosticado no ex-presidente Lula, eu entrevistei um dos mais renomados cirurgiões de cabeça e pescoço do Brasil, o doutor Pedro Michaluart Jr. Ele é professor livre-docente da Faculdade de Medicina USP e médico da disciplina de Cirurgia e Pescoço do Hospital das Clínicas de São Paulo.
Viomundo – O que causa o câncer de laringe?
Pedro Michaluart Jr. – O câncer de laringe está associado principalmente ao tabagismo e ao etilismo. E se a pessoa tem esses dois fatores de risco aumenta muito a chance de aparecimento desse tumor, que é mais comum entre homens dos 50 aos 70 anos.
Viomundo – Tem algum fator de risco que prepondera?
Pedro Michaluart Jr.– Isoladamente o hábito de fumar é o fator mais importante. Agora quando tabagismo e abuso de álcool estão associados a importância é maior do que a soma deles. Aparentemente eles têm efeito sinérgico, um potencializando o do outro.
Viomundo – Por quê?
Pedro Michaluart Jr. – Não sabemos exatamente por quê. Mas essa é observação feita em várias populações.
Viomundo – E o fato de a pessoa falar muito pode levar ao câncer de laringe?
Pedro Michaluart Jr.  — Não.
Viomundo – Quais os sintomas [aquilo que o paciente sente] e sinais [aquilo que o médico observa]?
Pedro Michaluart Jr. – Nós costumamos dividir a laringe em três sítios: glote, que é a região das cordas vocais, supra-glote e infra-glote. No Brasil, o local onde mais aparece é na glote, ou seja, nas cordas vocais propriamente ditas. Representam 70% dos casos. Trinta por cento são na supra-glote e os de infra-glote são extremente raros. Frequentemente o primeiro sintoma é a rouquidão. Pode ocorrer também alteração da deglutição.
Viomundo – Que tipo de alteração na deglutição?
Pedro Michaluart Jr. – Dor ou dificuldade na hora de engolir.
Viomundo – O fato de estar num ou no outro sítio tem alguma implicação?
Pedro Michaluart Jr. – Tem, sim. Nos tumores da glote, a probabilidade de disseminação em pescoço é pequena nos casos iniciais. Já nos de supra-glote é maior a preocupação com linfonodos cervicais (gânglios), mesmo nos casos iniciais.
Viomundo — O doutor Artur Katz, que faz parte da equipe que está cuidando de Lula, disse que é um tumor epidermoide. O que isso significa?
Pedro Michaluart Jr. -- O carcinoma epidermoide representa 95% dos tumores malignos de mucosa de cabeça e pescoço. E é a ele que estou me referindo quando eu falo dos antecedentes de fatores de risco do tabagismo e etilismo. Existem outros tipos histológicos que têm comportamento distinto.
Viomundo – Quais são os tratamentos para esse tipo de tumor? Tem médico dizendo que o tratamento de Lula começará com quimioterapia, pois já estaria num estádio avançado. É isso mesmo?
Pedro Michaluart Jr. — Existem  muitos esquemas de tratamento para o câncer de laringe, que é um órgão extremamente importante, com funções vitais. A laringe tem função na preservação das vias aéreas, na deglutição e na fonação, entre outras.
Assim todo esforço é feito para preservação das funções. A opção sempre leva em consideração tratamentos que tenham a mesma chance de cura e entre esses  o que se procura é o que tenha melhor expectativa de preservação da função.
Nessa linha, nos últimos anos, existe uma tendência de iniciar muitas vezes o tratamento do câncer de laringe com quimioterapia.  Também tem a radioterapia e a cirurgia. Os três têm efetividade e utilidade, dependendo de cada caso.
Agora só pelo fato de de se iniciar com quimioterapia não dá para dizer qual é o estágio do seu tumor.
Viomundo – O fato de começar com químio não significa que Lula vá fazer só químio?
Pedro Michaluart Jr. -- A quimioterapia usualmente faz parte do tratamento, mas não é exclusiva. Mais comumente a cirurgia ou radioterapia são tratamentos únicos para o câncer de laringe.
Viomundo – Lula então vai fazer rádio ou cirurgia?
Pedro Michaluart Jr. – Eu não tenho nenhuma informação técnica sobre o caso dele.
Viomundo — Qual a possibilidade de cura?
Pedro Michaluart Jr.  – Depende do estágio em que se inicia o tratamento. Nos estágios bem iniciais a probabilidade de cura é maior do que 95%. Já nos estágios bastante avançados é bem inferior.
Viomundo – Quer dizer que as chances de cura de Lula são excelentes?
Pedro Michaluart Jr.  -- Como disse, não tenho nenhuma informação sobre o caso dele
Viomundo – Aproveitando esse momento, o que o senhor diria para os nossos leitores?
Pedro Michaluart Jr. — Tabagismo e abuso de álcool são os grandes inimigos da laringe.  A rouquidão é o principal sintoma do câncer nesse órgão. Rouquidão que não melhora em 15 dias deve ser investigada. Ás vezes gânglios cervicais aumentados (“caroço” no pescoço) também podem ocorrer em câncer de laringe. Em quaisquer dessas situações, busque um médico. Se eventualmente for câncer, tem-se a oportunidade de fazer diagnóstico precoce, com possibilidade de preservação do órgão e de cura.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Doença mental tem cura?

Rogério Tuma na CartaCapital

Em seu livro, o doutor Luiz Altenfelder, psiquiatra do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, deixa claro: “O homem não existe sem a relação com o seu semelhante”. É com esse lema que ele defende a importância do psicodrama e da psicoterapia em grupo nos tempos de hoje, em que a psicofarmacologia e a neurologia desfazem suas fronteiras. O autor demonstra que o papel da psicoterapia é fundamental e curativo.

 Mais do que isso, disserta de forma didática e contagiosamente interessante sobre a história do tratamento psiquiátrico, desde a civilização egípcia até a desospitalização, passando por absurdos como o espancamento e até a queima do paciente psiquiátrico na fogueira. Segundo o dr. Altenfelder, a doença mental tem cura e o caminho não é só a medicação: a psicoterapia em grupo e o psicodrama são os elos encontrados no passado para a moderna psiquiatria.

Esquecidos, atenção!

Mais um avanço para o tratamento da doença de Alzheimer foi descoberto com lombrigas. A revista Nature publicou um estudo em que cientistas do Instituto Buck, na Califórnia, perceberam que, ao utilizar um corante comum que colore a proteína beta amiloide no neurônio, conseguiam melhorar o defeito que aparece nesta proteína, causadora da doença de Alzheimer em humanos. De tabela, conseguiram aumentar a longevidade dessas lombrigas em 50%.

Os cientistas envolvidos, que usaram as lombrigas modificadas para simular a doença de Alzheimer tal qual ocorre em humanos, nunca viram uma substância tão eficaz em aumentar a vida de um ser vivo igual ao corante Amarelo 1, como é chamada a Tioflavina T (ThT). O corante, ao juntar-se com a proteína beta amiloide, melhora a capacidade do organismo de manter a sua produção estável, impedindo a produção de fragmentos proteicos que são tóxicos para a célula e provocam sua morte prematura.

A ThT é um corante comumente utilizado para identificar as placas amiloides, acúmulos desses fragmentos tóxicos de proteína. Além de identificar as placas, o dr. Silvestre Alavez, pesquisador-chefe, percebeu que a ThT também impede o crescimento da placa, preservando os neurônios, pois devolve a estrutura molecular tridimensional da proteína, fazendo com que o neurônio perceba que não precisa produzi-la mais. O neurônio, além de sobreviver 50% mais tempo do que o usual, permanece saudável. A produção desenfreada da proteína doente beta amiloide é uma das causas da formação de placas de proteína e consequente morte neuronal na doença de Alzheimer.

Se for possível usar o ThT no tratamento em humanos, ele pode ser eficaz até nos casos avançados da doença. No momento, os pesquisadores passaram apenas da pesquisa em lombrigas para modelos em ratos. Ainda há um caminho longo até a utilização em humanos, mas é um achado extremamente promissor.
Epilépticos, atenção!

A revista Neurotherapeutics traz um artigo da dra. Mattia Maroso, de Milão, que abre caminho para outro tipo de tratamento medicamentoso para epilepsia. Os pesquisadores descobriram que anti-inflamatórios podem reduzir dramaticamente as crises em pacientes com epilepsia de difícil controle com o uso dos anticonvulsivantes existentes. O mecanismo descoberto é a inibição de uma enzima chamada ICE/Caspase, que induz a formação da interleucina 1 beta, proteína que provoca inflamação na região epiléptica do cérebro, o que aumenta os disparos elétricos dos neurônios, perpetuando o foco epiléptico.

Com o uso de um anti-inflamatório que inibe essa enzima, os cientistas conseguiram uma importante redução nas crises epilépticas em ratos, demonstrando que o uso de anti-inflamatórios pode ser um importante coadjuvante terapêutico em humanos com crises frequentes e sem controle.