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segunda-feira, 26 de setembro de 2011

tô na rua na cidade e na periferia


Esse Filme Eu Já Vi

Luiz Melodia


Tô na rua fim de semana
Não venha me por medo
Eu já saio um rochedo
Não te vi, não te conheço
Você tá falando grego
Esse filme eu já vi
Em toda esquina tem cenário
E eu visível de otário
Eles servindo a nossa dor
Na minha tela otário
Pode apagar ser barco a vela
Que esse filme eu já vi
Amanheceu lá na calçada
Morreu de amorou cráqueada
De porrada ou viciada
Passo eu a navalha na noite
Esse filme eu já vi
Anoiteceu na minha garganta
Um mistério afogado
Frente a luz, frente ao estado
Frente a cara do guri
Dei mais dois pra não sorrir fumei
Esse filme eu já vi
Dei mais dois pra conhecera vida
Esse filme eu já vi

 A Traição das Metáforas - Poema 1

debaixo da sacada a escada trota
pássaro sem teto acima do delírio
coração de porco crava no oco da noite
a faca cega, punhal de cinco estrelas
na constelação do cão maior
por onde úrsula nua passeia
dédala de dandi deusa de dali lua de dada
no coração do pintor sem fronteiras
acima do pé de abóbora
embaixo do pé de cajá
malásia não é aqui
espanha não além mar
salvador não é dali
a mulher que eu quero mesmo
e uma dedé que não dada
bia de dante do inferno itamarati itamaracá
constelação ursa maior
pra dada meu coração pra dedé não sou cantor
quando quero quero mesmo
espuma nylon pele tecido isopor

arturgomes

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

CIDADE NA VIAGEM DO OLHAR

por  Almandrade         

As cidades são tristes quando uma curiosidade, uma presença, ou um lugar não aquece a solidão de quem vive a abstração da vida cotidiana. Nada tem sentido. A falta sempre remete a uma espécie de deserto que desorienta o viajante solitário de seu próprio espaço. – Será que as cidades deveriam ser habitadas por imagens que desejamos e por imagens poéticas? “Mas o desejo, a poesia, o riso fazem necessariamente a vida deslizar no sentido contrário, indo do conhecido ao desconhecido”. (Bataille) – Enfrentar o desconhecido é uma tarefa difícil para o homem, principalmente quando ele vive em cidades hostis ao mundo do conhecimento.

A publicidade faz a imagem da cidade, como se a natureza fosse uma imitação de uma outra natureza. A arquitetura não é mais arquitetura, é imagem de out-door. A festa faz o paraíso urbano e uma música medíocre anuncia o Carnaval, esta intervenção autoritária que desapropria a vida da cidade, para aqueles que não têm o direito de opinar contra a festa.

A cidade é a multidão que troca de imagem segundo a moda. Mas tem a imagem que permanece na memória, como objeto da paixão para o apaixonado. Pensei em Walter Benjamin e o Diário de Moscou: o olhar apaixonado de um filósofo sobre uma cidade: “Naquela manhã sentia-me com uma energia e por isso consegui falar de maneira sucinta e calma sobre minha permanência em Moscou e sobre suas perspectivas imensamente reduzidas”. Uma relação de paixão compartilhada com o conhecimento das imagens percebidas de uma cidade.

Da janela, contemplei a rua como um voyeur de cidade. O trânsito, a publicidade, a multidão, o centro histórico. Os monumentos e a arquitetura eram objetos para as câmeras fotográficas de turistas, como cenários sem data. Sem a imaginação o passado é a imagem engraçada, um efeito especial do cotidiano, onde tudo é repetitivo. A história, neste caso, não passa de uma mercadoria para um olhar carente de um lazer cultural. “A era faustuosa da imagem e dos astros e das estrelas está reduzida a alguns efeitos de ciclone e terremotos artificiais, de falsas arquiteturas e de truncagens infantis com que as multidões fingem deixar-se empolgar para não sofrer uma decepção amarga demais” (Baudrillard).

Por outro lado, a singularidade de um espaço, de um monumento ou de uma arquitetura fascina o viajante. É como as imagens poéticas que provocam o desejo de olhar e de viver um estado de deslumbramento. As imagens não são totalmente transparentes que se revelam a qualquer olhar sem reflexão: elas provocam a imaginação e exigem um olhar atento, com um repertório de referências. Isto é, uma sensibilidade capaz de perceber nas imagens suas histórias e suas verdades, mesmo que seja uma sensibilidade marcada pela paixão de uma imagem.

Almandrade

Artista plástico, arquiteto, mestre em desenho urbano, poeta e professor de teoria da arte das oficinas de arte do Museu de Arte Moderna da Bahia

sábado, 27 de agosto de 2011

cidade nua



andar
na periferia do teu corpo
cidade nua
trafegar por tuas ruas
caminhar tuas estradas
me enfiar em tuas curvas
se as flores do mal-me-quer
enfrentar a tua reta
re-inventar a pessoa
comer a tua carne
lamber a tua língua
beber o leite dos teus seios
lambuzar teu sexo
quando estiver no cio
soltar pipas ao vento
e tudo mais que re-invento
e quero mais a carnavalha
muito mais a coisa toda
e a moral tropinicalha
eu quero mais é que se foda

arturgomes

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

cidade nua


andar
na periferia do teu corpo
cidade nua
trafegar por tuas ruas
caminhar tuas estradas
me enfiar em tuas curvas
se as flores do mal-me-quer
enfrentar a tua reta
re-inventar a pessoa
comer a tua carne
lamber a tua língua
beber o leite dos teus seios
lambuzar teu sexo
quando estiver no cio
soltar pipas ao vento
e tudo mais que re-invento
e quero mais a carnavalha
muito mais a coisa toda
e a moral tropinicalha
eu quero mais é que se foda

arturgomes