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terça-feira, 8 de janeiro de 2013

pele grafia




jura secreta 34

por que te amo
e amor não tem pele nome 
                                     ou sobrenome
não adianta chamar
que ele não vem quando se quer
porque tem seus próprios códigos e segredos
mas não tenha medo
pode sangrar pode doer
                         e ferir fundo
mas é razão de estar no mundo
nem que seja por segundo
por um beijo mesmo breve
por que te amo
no sol no sal no mar na neve


pele grafia

meus lábios em teus ouvidos
flechas netuno cupido
a faca na língua a língua na faca
a febre em patas de vaca
as unhas sujas de Lorca
cebola pré sal com pimenta
tempero sabre de fogo
na tua língua com coentro
qualquer paixão re/invento
o corpo/mar quando agita
na preamar arrebenta
espuma esperma semeia
sementes letra por letra
na bruma branca da areia
sem pensar qualquer sentido
grafito em teu corpo despido
poemas na lua cheia

artur gomes
fulinaimagem cine vídeo  poesia

cabeças cortadas

cabeças cortadas


Sargaço em tua boca espuma

em armação de búzios
 tenho um amor sagrado
guardado como jura secreta
que ainda não fiz para laís
em teus cabelos girassóis de estrelas
que de tanto vê-las o meu olho  vela
e o que tanto diz  onda do mar  não leva
da areia da praia onde grafei teu nome
para matar a sede e muito mais a fome
entranhada  na carne como flor de lotus
grudada na pele como tatuagem
flutuando ao vento como leve pluma
no salgado corpo do além mar afora
sargaço em tua boca espuma
onde vivem peixes  - na cumplicidade
do que escrevo agora

queimando em mar de fogo

Entridentes

queimando em Mar de Fogo
me registro
lá no fundo do teu íntimo
bem no branco do meu nervo
brota uma onda de sal e líquido
procurando a porta do teu cais
teu nome já estava cravado
nos meus dentes
desde quando sísifo
olhava no espelho
primeiro como Mar de Fogo
registro vivo das primeiras era
segundo como Flor de Lotus
cravado na pele da flor primavera
logo depois gravidez e parto
permitindo o Logus quando o amor quisera


arturgomes
fulinaimagem cine vídeo poesia

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Pablo Neruda - 5 Poemas de Amor


Pablo Neruda na voz de Artur Gomes amanhã no Centro Cultural Luciano Bastos em Bom Jesus do Itabapoana-RJ

Se Me Esqueceres

Quero que saibas 
uma coisa. 

Sabes como é: 
se olho 
a lua de cristal, o ramo vermelho 
do lento outono à minha janela, 
se toco 
junto do lume 
a impalpável cinza 
ou o enrugado corpo da lenha, 
tudo me leva para ti, 
como se tudo o que existe, 
aromas, luz, metais, 
fosse pequenos barcos que navegam 
até às tuas ilhas que me esperam. 

Mas agora, 
se pouco a pouco me deixas de amar 
deixarei de te amar pouco a pouco. 

Se de súbito 
me esqueceres 
não me procures, 
porque já te terei esquecido. 

Se julgas que é vasto e louco 
o vento de bandeiras 
que passa pela minha vida 
e te resolves 
a deixar-me na margem 
do coração em que tenho raízes, 
pensa 
que nesse dia, 
a essa hora 
levantarei os braços 
e as minhas raízes sairão 
em busca de outra terra. 

Porém 
se todos os dias, 
a toda a hora, 
te sentes destinada a mim 
com doçura implacável, 
se todos os dias uma flor 
uma flor te sobe aos lábios à minha procura, 
ai meu amor, ai minha amada, 
em mim todo esse fogo se repete, 
em mim nada se apaga nem se esquece, 
o meu amor alimenta-se do teu amor, 
e enquanto viveres estará nos teus braços 
sem sair dos meus. 

Pablo Neruda, in "Poemas de Amor de Pablo Neruda"



Corpo de Mulher...

Corpo de mulher, brancas colinas, coxas 
                                                          [brancas, 
pareces-te com o mundo na tua atitude de 
                                                          [entrega. 
O meu corpo de lavrador selvagem escava em ti 
e faz saltar o filho do mais fundo da terra. 

Fui só como um túnel. De mim fugiam os 
                                                          [pássaros, 
e em mim a noite forçava a sua invasão 
                                                          [poderosa. 
Para sobreviver forjei-te como uma arma, 
como uma flecha no meu arco, como uma pedra 
                                                 na minha funda. 

Mas desce a hora da vingança, e eu amo-te. 
Corpo de pele, de musgo, de leite ávido e firme. 
Ah os copos do peito! Ah os olhos de ausência! 
Ah as rosas do púbis! Ah a tua voz lenta e 
                                                          [triste! 

Corpo de mulher minha, persistirei na tua graça. 
Minha sede, minha ânsia sem limite, meu 
                                                          [caminho indeciso! 
Escuros regos onde a sede eterna continua, 
e a fadiga continua, e a dor infinita. 

Pablo Neruda, in "Vinte Poemas de Amor e uma Canção Desesperada"



Amor

Mulher, teria sido teu filho, para beber-te 
o leite dos seios como de um manancial, 
para olhar-te e sentir-te a meu lado e ter-te 
no riso de ouro e na voz de cristal. 

Para sentir-te nas veias como Deus num rio 
e adorar-te nos ossos tristes de pó e cal, 
para que sem esforço teu ser pelo meu passasse 
e saísse na estrofe - limpo de todo o mal -. 

Como saberia amar-te, mulher, como saberia 
amar-te, amar-te como nunca soube ninguém! 
Morrer e todavia 
amar-te mais. 
E todavia 
amar-te mais 
                           e mais. 

Pablo Neruda, in "Crepusculário" 
Tradução de Rui Lage



Grita

Amor, quando chegares à minha fonte distante, 
cuida para que não me morda tua voz de ilusão: 
que minha dor obscura não morra nas tuas asas, 
nem se me afogue a voz em tua garganta de ouro. 

                Quando chegares, Amor 
                à minha fonte distante, 
                sê chuva que estiola, 
                sê baixio que rompe. 

                Desfaz, Amor, o ritmo 
                destas águas tranquilas: 
sabe ser a dor que estremece e que sofre, 
sabe ser a angústia que se grita e retorce. 

                Não me dês o olvido. 
                Não me dês a ilusão. 
Porque todas as folhas que na terra caíram 
me deixaram de ouro aceso o coração. 

                Quando chegares, Amor 
                à minha fonte distante, 
                desvia-me as vertentes, 
                aperta-me as entranhas. 

E uma destas tardes - Amor de mãos cruéis -, 
ajoelhado, eu te darei graças. 

Pablo Neruda, in "Crepusculário" 
Tradução de Rui Lage


Sempre


Ao contrário de ti 
não tenho ciúmes. 

Vem com um homem 
às costas, 
vem com cem homens nos teus cabelos, 
vem com mil homens entre os seios e os pés, 
vem como um rio 
cheio de afogados 
que encontra o mar furioso, 
a espuma eterna, o tempo. 

Trá-los todos 
até onde te espero: 
estaremos sempre sozinhos, 
estaremos sempre tu e eu 
sozinhos na terra 
para começar a vida. 

Pablo Neruda, in "Poemas de Amor de Pablo Neruda"


A convite de Paula Bastos Pró Reitora de Extensão do IFF, estarei amanhã no Centro Cultural Luciano Bastos, em Bom Jesus do Itabapoana, fazendo uma leitura dramática desses poemas acima do poeta chileno Pablo Neruda.


artur gomes
www.artur-gomes.blogspot.com

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

jura secreta 14


eu te desejo flores lírios brancos
 margaridas girassóis rosas vermelhas
e tudo quanto pétala 
asas estrelas borboletas 
alecrim bem-me-quer e alfazema
eu te desejo emblema deste poema desvairado 
com teu cheiro teu perfume
teu sabor teu suor teu sabor tua doçura 
e na mais santa loucura 
declarar-te amor até os ossos
eu te desejo e posso
:
palavrArte até a morte
enquanto a vida nos procura 


Entridentes

queimando em mar de fogo me registro
bem no centro do teu íntimo
lá no branco do meu nervo brota
uma onde que é de sal e líquido
procurando a porta do teu cais

teu nome já estava cravado nos meus dentes
desde quando sísifo olhava no espelho
primeiro como mar de fogo
registro vivo das primeiras eras
segundo como flor de lótus
cravado na pele da flor primavera
logo depois gravidez e parto
permitindo o Logus quando o mar quisera


Desejo a todos um 2012 pleno
de muita luz amor saúde sucesso e paz

arturgomes

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

jura secreta 31

louise marrie - foto: Plural Build

te amo
e amor não tem nome
pele ou sobrenome
não adianta chamar
quando se quer
porque tem seus próprios códigos
e segredos
mas não tenha medo
pode doer pode sangrar
e ferir fundo
mas é razão de estar no mundo
nem que seja por segundo
por um beijo mesmo breve
porque te amo
na mar no sal no sol na neve

arturgomes

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

o amor é cruel


O amor é cruel

Poesia no cone manifesto

o risco


atravessar as portas
ultrapassar janelas
paredes muros cidades
o risco
de te matar
saudade
dentro da boca que quero
de penetrar garganta
laringe esôfago estômago
enquanto
dançamos bolero
sendo um tango
enquanto fado
arrisco
o beijo guardado
num copo de vinho
ou de menta
sabor de pimenta
e alho

e o doce mel da pimenta
enquanto a palavra
entra
pelos teus olhos e abras
teu cais do porto
fechado

arrisco
meus dedos e dados
nos lances mais atrevidos
dos nossos sextos sentidos
por tudo que foi esperado

artur gomes

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

carlos drummond de andrade


Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram. 
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.

 Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

 Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teu ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança. 
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.

Carlos Drummond de Andrade
A única coisa que o poeta não suportou foi a morte de sua filha, doze dias depois ele se foi em...17/08/1987

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

esfinge



o amor
não e apenas um nome
que anda por sobre a pele

um dia falo letra por letra
no outro calo fome por fome
é que a pele do teu nome
consome a flor da minha pele

cravado espinho na chaga
como marca cicatriz
eu sou ator ela esfinge
ana alice/beatriz

assim vivemos cantando
fingindo que somos decentes
para esconder o sagrado
em nosso profanos segredos

se um dia falta coragem
a noite sobra do medo

na sombra da tatuagem
sinal enfim permanente
ficou pregando uma peça
em nosso passado presente

o nome tem seus mistérios
que se escondem sob panos

o sol e claro quando não chove
o sal e bom quando de leve
para adoçar desenganos
na língua na boca na neve

o mar que vai e vem
não tem volta

o amor é a coisa mais torta
que mora lá dentro de mim
teu céu da boca e a porta
onde o poema não tem fim

artur gomes
http://juras-secretas.blogspot.com/