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terça-feira, 19 de março de 2013

Karla Julia - Lua Nova




Primeiro Vídeo da Oficina de Poesia Falada, realizada de 4 a 9 de março com Karla Julia interpretando Lua Nova, poema do seu livro Alma Nua - Direção: Artur Gomes


Lua Nova

Nas noites em que custo a dormir,
escrevo, en-lou-que-ci-da-men-te.
E com meu anjo, crio pontes
através de meus poemas.

Não nos falamos, nossa voz corre em versos,
que se espalham através de nossa corrente sanguínea.
Junto a ele, emigrantes viramos, 
mal quero saber para onde vamos,
mas os deuses, que tudo nos contam, nos disseram...
nossas almas...são macho e fêmea.

Ele, que reza junto comigo, 
não se converteu.
Eu, que peço por ele, 
jurei por todos os séculos e séculos,
amém.
Bem sei que nunca teremos nosso réquiem.

Gosto disso... nossa poética é oculta.

Karla Julia
poema do livro – Alma Nua

terça-feira, 1 de novembro de 2011

VeraCidade





veraCidade

porque trancar as portas 
tentar proibir as entradas
se eu já habito os teus cinco sentidos
e as janelas estão escancaradas?
um beija flor risca no espaço
algumas letras de um alfabeto grego
signo de comunicação indecifrável
eu tenho fome de terra
e este asfalto sob a sola dos meus pés:
agulha nos meus dedos

quando piso na Augusta
o poema dá um tapa na cara da Paulista
flutuar na zona do perigo
entre o real e o imaginário:
João Guimarães Rosa Martins Fontes Caio Prado
um bacanal de ruas tortas
eu não sou flor que se cheire
nem mofo de língua morta
o correto deixei na cacomanga
matagal onde nasci
com os seus dentes de concreto
São Paulo é quem me devora
e selvagem devolvo a dentada  
na carne da rua aurora


Jura Secreta 18

te beijo vestida de nua
somente a lua te espelha
nesta lagoa vermelha
porto alegre caís do porto
barcos navios no teu corpo
peixes brincam no teu cio
nus teus seios minhas mãos

e as rendas íntimas que vestias
sobre os teus pêlos ficção
todos os laços dos tecidos
e aquela cor do teu vestido
a pura pele agora é roupa
e o baton da tua boca
e o sabor da tua língua
tudo antes só promessa
agora hóstia entre os meus dentes
para espanto dos decentes
te levo ao ato consagrado

se te despir for só pecado
é só pecar que me interessa

arturgomes

sábado, 27 de agosto de 2011

cidade nua



andar
na periferia do teu corpo
cidade nua
trafegar por tuas ruas
caminhar tuas estradas
me enfiar em tuas curvas
se as flores do mal-me-quer
enfrentar a tua reta
re-inventar a pessoa
comer a tua carne
lamber a tua língua
beber o leite dos teus seios
lambuzar teu sexo
quando estiver no cio
soltar pipas ao vento
e tudo mais que re-invento
e quero mais a carnavalha
muito mais a coisa toda
e a moral tropinicalha
eu quero mais é que se foda

arturgomes

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

cidade nua


andar
na periferia do teu corpo
cidade nua
trafegar por tuas ruas
caminhar tuas estradas
me enfiar em tuas curvas
se as flores do mal-me-quer
enfrentar a tua reta
re-inventar a pessoa
comer a tua carne
lamber a tua língua
beber o leite dos teus seios
lambuzar teu sexo
quando estiver no cio
soltar pipas ao vento
e tudo mais que re-invento
e quero mais a carnavalha
muito mais a coisa toda
e a moral tropinicalha
eu quero mais é que se foda

arturgomes